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Reportagem: Richelle Bezerra 

Produção: Josi Simão

Imagens e edição: Mr. Luck

Publicação: 31.12.2019

O portal Ideia Positiva Online.com preparou uma reportagem especial sobre uma área que cresce, cada vez mais: a educação empreendedora. Mostramos que algumas escolas, a exemplo dos Institutos Federais, perceberam a necessidade de focar no empreendedorismo. Este redirecionamento já surte efeitos e tem transformado as vidas de milhares de alunos. Hoje, os estudantes se mostram bem mais preparados para um trabalho que exige iniciativa e produtividade.

Uma pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), consórcio internacional que, no Brasil possui parceria com o Sebrae, indica que seis entre dez empreendedores estão despreparados para empreender. Os dados mais recentes, mostram que o Brasil ocupa a 56ª posição em uma lista de 65 países, na relação do ensino com o empreendedorismo.

 

Posição do Brasil no quesito "Educação Empreendedora"

 

As mudanças do mercado despertam atenção especial para a educação empreendedora. O que nem sempre foi assim. O ensino profissionalizante no Brasil, que data da época do Império, concentrava-se nas associações religiosas e filantrópicas. Depois da proclamação da república, essas escolas foram mantidas em alguns estados. Chamadas, inicialmente, de Escolas de Aprendízes e Artífices tornaram-se, hoje, os Institutos Federais. Motivaram, ainda, a criação de iniciativas privadas com fins públicos, como o Senac ou o Senai.  

 

Escola Industrial Técnica

EVOLUÇÃO DA REDE FEDERAL DE EDUCAÇÃO

1909
APRENDIZES E ARTÍFICES
1937
LICEUS PROFISSIONAIS
1942
ESCOLAS INDUSTRIAIS E TÉCNICAS
1959
ESCOLAS TÉCNICAS
1978
CENTROS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA
(Rede ampliada em 1994)
2008
INSTITUTOS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO

 

Primeiro, o foco era na formação para a empregabilidade. Mas, com as mudanças do mercado... a preparação passou a ser voltada também ao empreendedorismo.

"Muitas vezes, a gente estava habituado a receber muito mais oportunidades. Esperar para que elas acontecessem. Hoje, não! Os alunos tentam criar as suas próprias oportunidades ou terem uma visão do mercado para se recolocar a fim de que possam exercer uma atividade empreendedora de sucesso", disse a professora Fernanda de Araújo.

 

Fernanda de Araújo, professora de empreendedorismo no IFPB

Israel Marcelino faz parte da empresa júnior de administração do Instituto Federal da Paraíba, em João Pessoa. O grupo faz consultorias, planejamentos e projetos para diversos clientes. Segundo ele, a iniciativa serve como norte para a carreira profissional. "Minha forma de pensar, minha forma de agir, minha forma de ver o mundo mudou por causa do movimento 'Empresa Júnior'", falou o estudante. 

 

Israel Marcelino

Já Vitor Hugo e Clarissa Nascimento integram as empresas juniores de Engenharia Elétrica e Design de Interiores. Para Vitor, quem começa a empreender ainda na graduação tem inúmeras vantagens. "Isso porque começamos a vivenciar uma realidade que só é sentida por um empresário formado. É como se fosse uma antecipação, que fará diferença lá na frente. De certa forma, a gente começa a se preparar ainda na graduação. Aprendemos a vender, a negociar, a satisfazer o cliente...tudo com muita qualidade", destacou. "Nós estamos aqui juntos por um mesmo objetivo, que é impactar esse País afora", complementou a colega.

 

Júlio Coelho e Nicoly Almeida representam grupos de alunos que estudam, pesquisam e se dedicam a pensar em soluções sustentáveis e inteligentes para a comunidade em geral.

 

Júlio Coelho

Júlio e mais dois amigos desenvolveram o projeto chamado “Bubu Digital”. Trata-se de uma chupeta capaz de monitorar a saúde das crianças, por meio de sensores de temperatura e umidade. Ela envia as informações para dispositivos móveis, como smartphones e tablets. Qualquer mudança nos índices monitorados gera uma notificação no aplicativo, alertando sobre febres, hipotermias e desidratações. ""Nossa intenção é fazer parceria com alguma empresa já atuante, com objetivo de comercializar a chupeta com a nossa tecnologia. É um produto que tem potencial de mercado, mas, acima de tudo, pode impactar vidas que estão ao nosso redor", disse orgulhoso ao citar que o projeto ganhou repercussão internacional e venceu alguns prêmios no exterior. 

 

Bubu Digital

 

Já Nicoly teve outra ideia que, aperfeiçoada pelos professores, tem repercutido fora do IFPB. É a lixeira inteligente. "Essa foi uma ideia que tivemos numa competição de empreendedorismo. Pensamos em criar, primeiramente, uma plataforma que pudesse dar destino ao lixo de forma racional", explicou a aluna. Com o Idubo (nome dado ao projeto), "o usuário termina um almoço, por exemplo, e se tem cascas de legumes e frutas pode dar um destino correto para isso. Ele vai entrar na plataforma, anunciar o que tem e uma composteira previamente cadastrada irá até ele buscar o que pode ser reaproveitado". A lixeira também tem um dispositivo eletrônico, de baixo custo, que indica, para os cadastrados, quando está cheia e em que local está. 

 

Muitos estudantes e ex-estudantes têm oportunidade de vivenciar a relação com o mercado, de forma prática, antes mesmo de encerrar os estudos nos Institutos Federais. Os “pólos de inovação” são oportunidades de trabalho que proporcionam isso. Através da parceria público-privada, os integrantes são contratados por clientes externos e orientados pela equipe do pólo, principalmente na área de tecnologia. Dessa forma, saem da Academia mais preparados. "Eu encontrei uma maneira ótima de colocar em prática tudo o que eu consegui adquirir de conhecimento na vida acadêmica, podendo exercer a profissão, aqui mesmo no IFPB, em uma área que está super em alta", disse Luana Rodrigues. "Nós somos uma equipe. Cada ideia é complementada e isso fortalece o empreendedorismo", acrescentou Joerverson Barbosa, que também trabalha no pólo.

 

Essa visão empreendedora dos Institutos Federais tem produzido referências no mercado. Em Cajazeiras, no sertão paraibano, Marcelo Martins é conhecido pela garra, competência e dedicação ao trabalho. De origem humilde, passou dificuldades na infância, mas nunca deixou que isso fosse obstáculo para seus objetivos. Filho de agricultores, observava os pais se esforçarem para manter a família. E, independentemente das condições financeiras, sempre valorizou a educação. 

Ex-aluno do IFPB, ainda quando o Instituto era Cefet, Marcelo obteve conhecimento, viu oportunidades e, após anos de estudo, decidiu montar a própria empresa. Aberto em 2009, o negócio, especializado em automação comercial e segurança digital, hoje atende a mais de cinquenta cidades do País. Já ganhou vários prêmios e é indicado como exemplo de quem acredita, trabalha e aposta no empreendedorismo.

 

Marcelo e o sócio Alan Jones

 

"Tudo o que eu aprendi me ajudou a chegar ao ponto que atingi hoje. Obtive muito conhecimento no IF e sempre foquei no empreendedorismo", enfatizou o ex-aluno do IFPB, que é convidado constantemente para palestrar e falar sobre a sua trajetória, como forma de estímulo a outros alunos-empreendedores. 

 

Reportagem: Richelle Bezerra 
Produção: Josi Simão
Imagens e edição: Mr. Luck
Publicação: 31.12.2019

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